terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Ato nacional contra injustiças da Copa retoma a jornada de lutas iniciada em junho de 2013


O dia 25 de janeiro de 2013 foi marcado por protestos com o tema “Não vai ter Copa”, em várias cidades do Brasil. Em São Paulo, mais de 2500 pessoas participaram da caminhada pacífica pelo Centro da cidade. O recado para o governo Dilma e para a Fifa foi dado: na Copa, vai ter luta!
O protesto paulista contou com diversas “colunas” formadas por sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais, fóruns, partidos e organizações políticas de esquerda e outros grupamentos. Entre os sindicalistas, havia representantes do Sindsef-SP, Sindicato dos Metroviários, Sintrajud, do Movimento Nacional de Oposição Bancária e da CSP-Conlutas.
O servidor público do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e diretor do Sindsef-SP, Ismael Souza, que participou da maioria dos protestos realizados em junho de 2013 e a servidora do Judiciário Federal, Ana Luiza, destacaram que essa nova manifestação é importante porque dá continuidade ao processo de luta iniciado pela juventude, que foi às ruas junto aos trabalhadores para reivindicar mudanças.
"A Copa não traz mudanças, traz mais exploração. Além disso, o que vemos é a exclusão, onde os trabalhadores vão assistir de casa o espetáculo da burguesia, dos patrões. Estamos em uma luta por direitos, o direito à saúde, educação, moradia e transporte. Direitos básicos que a cada ano vêm sendo negados pelos governos", disse Ismael.
Outro ponto criticado pelo representante do Sindsef-SP foi que "o serviço público foi colocado de lado. O que o governo está fazendo é terceirizar mais ainda, porque no evento esportivo será necessário aumentar os serviços de saúde e segurança, e tudo está sendo terceirizado". Deste modo, a Copa do Mundo, além de desviar recursos que poderiam ser investidos em áreas fundamentais, está ligada à precarização do trabalho.
Ana Luiza acredita que os trabalhadores do serviço público de todo o Brasil não aceitam os gastos absurdos para a construção desses estádios. "Eu, como trabalhadora do serviço público federal, assim como meus colegas, tenho que estar presente para construir essa luta, para que a vitória seja de todos nós", falou.

“Da Copa, da Copa, da Copa eu abro mão. Quero mais dinheiro para saúde e educação”

Em meio a um público eclético, estava Vera (11 anos de idade), uma estudante de escola pública que pediu a mãe acompanhá-la. Questionada pelo motivo de sua participação disse: “Eu estou aqui pelo mesmo motivo de todo mundo que também está, porque eu não quero Copa, eu quero dinheiro para educação, para a saúde...”.

“Chega de bomba e repressão, é meu direito à manifestação”



O protesto iniciado no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP) se manteve pacífico durante quase todo o percurso. “Chega de bomba e repressão, é meu direito à manifestação”, foi uma das tantas palavras de ordem que os manifestantes repetiram.
O dentista cirurgião, José Luis (59 anos) disse que sua família e amigos não acreditaram quando ele informou que participaria do protesto. “Acham que aqui só tem jovem, estudante, mas estou aqui defendendo nossos direitos. Também participei dos protestos contra o aumento da passagem no ano passado”, explicou. O cirurgião contou que em uma manifestação no mês de junho precisou correr para dentro de um prédio para fugir da violência policial e que esta é a principal razão da preocupação de sua família: “Eles têm medo que eu tome uma ‘borrachada’ e me machuque, porque vivo da minha mão”.


Quando a caminhada se aproximou de onde estavam acontecendo os shows de comemoração do aniversário de 460 anos da cidade, a Polícia Militar entrou em confronto com os participantes, obrigando-os a mudar o caminho.


A confusão iniciou na Rua Barão de Itapetininga, na região do Theatro Municipal, quando a PM, que já havia levado reforço do Batalhão de Choque e cercado a passeata por muitas ruas, lançou duas bombas de gás lacrimogêneo por volta das 20 horas.


Após a truculência da polícia, houve dispersão do protesto. Alguns grupos partiram em retirada e outros seguiram em passeata, sendo reprimidos com o gás e balas de borracha.
Segundo a própria PM, 135 pessoas foram detidas – 12 eram menores de idade. Elas foram liberadas na manhã do domingo, 26. O mais absurdo é que um jovem de 22 anos foi atingido por dois tiros (um no tórax e um na genitália) com arma letal dos policiais, e o estado dele é considerado grave.


Houve atos contra as injustiças causadas pela realização da Copa do Mundo no Brasil em pelo menos 13 capitais , na tarde e início da noite deste último sábado. Além de São Paulo, destacaram-se na imprensa em geral as manifestações realizadas em Fortaleza, Natal, Rio de Janeiro, Recife, Curitiba, Goiânia, Belo Horizonte e Manaus.


Solidariedade internacional


Dia 25 também foi o “Dia global contra o cerco do ditador Bashar ao campo de palestinos na Síria, Yarmouk”. A ativista síria Sara al Suri esteve presente com a bandeira de seu país no espaço onde estava a CSP-Conlutas e a Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), que levaram cartazes prestando solidariedade ao povo palestino e sírio.









Por Lara Tapety
(texto e fotos)

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