terça-feira, 22 de maio de 2012

Metroviários de São Paulo mostram-se mobilizados e começam greve amanhã

Colete da Campanha Salarial 2012 dos metroviários. Foto: Lara Tapety
Por Lara Tapety

    Em todas as estações de metrô, desde ontem (21), trabalhadores estão vestidos com coletes pretos da campanha salarial da categoria. Na estampa estão os dizeres “Chega de SUFOCO. A luta continua! Mais metrôs, menos tarifa”.
    A classe patronal lançou uma proposta descabida de apenas 4,5% de reajuste, 0,50 de aumento real e 4,5% a mais para os vale-refeição, alimentação e auxílio creche. 
    A categoria reivindica:
- 5,13% de reajuste salarial,
- 14,99% de ganho real,
- Vale-alimentação de R$280,5 (o que representa menos de R$10 por dia),
- Reajuste de 23,44% para o vale-refeição,
- Equiparação salarial,
- 36 hora semanais,
- Adicional de risco de vida de 30%,
- Periculosidade sobre todos os vencimentos,
- Plano de saúde acessível para os aposentados e reintegração de todos os demitidos em 2007.
   Os cinco últimos itens da pauta de reivindicações foram ignorados pela empresa.
  Em assembleia realizada na última quarta-feira (16), os metroviários rejeitaram a proposta e decidiram iniciar a greve a partir desta quarta (23).
   Desde a semana passada trabalhadores metroviários, ferroviários e rodoviários de diversos estados do país deflagam greve diante da precariedade, sucateamento e baixos salários nos setores de transportes. 


PT e PSDB: quem investiu no Metrô?

    O acidente da linha 3-vermelha, ocorrido na semana passada, gerou troca de farpas entre petistas e tucanos.
    De acordo com a análise da assessoria da liderança do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, Alckmin deixou de investir R$208 milhões na modernização do metrô em 2011. O partido comparou os dados do orçamento estadual com o balanço do metrô e apontou que 31% do que estava previsto para ser gasto na modernização do sistema não foi investido. O mesmo comunicado aponta que R$65 milhões deixaram de ser investidos na linha onde aconteceu a colisão entre dois trens. Daí a causa do acidente.
    Oportunista, o PT ainda aproveitou o momento para comparar os valores investidos pelo Governo FHC (PSDB) e Governos Lula e Dilma (PT). Segundo a nota, o governo petista emprestou 226% a mais que os tucanos para obras de expansão do Metrô e da CPTM.
    O PSDB rebateu argumentando que no referido ano a rede de Metrô cresceu 5,4 km e ganhou quatro novas estações. Na realidade, as quatro linhas estão em obras e o indicativo dos tucanos é que, até o final de 2014 – ano da Copa do Mundo - serão 100 km de extensão, com acréscimo de 30 km, além de mais de 40 km já contratados para serem entregues em 2015 e 2016. Ainda segundo a nota do partido, as obras não contaram com auxílio dos governos petistas.
    Para o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo, o investimento que o governo de São Paulo está fazendo é muito aquém da necessidade. Problemas como o que aconteceu tendem a se repetir.
    Segundo matéria do Jornal da Record (11/04/2012), o metrô de São Paulo é o mais lotado do mundo. Nos horários de pico, são dez pessoas por metro quadrado, quase o dobro do que é considerado tolerável.
    O Metrô não leva em conta a sobrecarga dos equipamentos causada pela superlotação. A obsolescência programada (nome dado à vida curta de um produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido) não prevê a realidade do transporte. Como consequência, os atrasos e as panes só aumentam.
    Isso tudo sem falar da privatização aliada à terceirização, sinônimo de precarização e desvalorização do trabalho e do trabalhador.
    Ao contrário do que muitos pensam, a privatização não vem para melhorar, mas sim para sucatear, piorando os serviços e as condições de trabalho dos metroviários. Neste sentido, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo e várias outras entidades do setor no Brasil lançaram a campanha por 2% do PIB para garantir metrô e trem estatais, de qualidade, com tarifa reduzida (social) para a população.
    É notável que o investimento no metrô brasileiro vai na contramão de muitos interesses do capital, especialmente dos grandes empresários do sistema de transporte rodoviário, do qual depende a grande massa.
    As contradições nos discursos dos governos mostram que o pouco de investimento é destinado à realização de obras, não diretamente a melhoria do setor. Todo mundo sabe que no nosso país, obra pública representa campo fértil para corrupção.

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