quinta-feira, 24 de maio de 2012

Forte greve dos metroviários de São Paulo chega ao fim com saldo positivo e distorções midiáticas

Trabalhadores deliberam o fim da greve. Foto: Sindicato dos Metroviários.

A greve dos metroviários, iniciada meia noite de ontem, 23, foi encerrada à tarde do mesmo dia. Em assembleia, a categoria resolveu aceitar a proposta do Metrô e retornar ao trabalho.

Durante a audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho, a empresa apresentou uma nova proposta, que considerou itens da pauta de reivindicações não levados em conta antes da greve. As conquistas foram as seguintes: 4,15% de reajuste salarial, 1,94% de aumento real, 21,05% de reajuste do vale refeição (VR), 45,33% de reajuste no vale alimentação (VA), 5% a mais no adicional de risco de vida para os Agentes de Segurança (AS´s) e Agentes de Estação (AE´s).

“Realizamos uma das maiores greves dos últimos anos, com ampla adesão de todo o quadro de funcionários. Pararam os operadores de trem, funcionários da manutenção e das estações e o corpo de segurança”, declara Altino de Melo Prazeres Júnior, presidente do Sindicato.

Os metroviários não realizam uma greve desde 2007. A empresa comprometeu-se em não descontar o dia parado.


Catraca livre

Os metroviários propuseram ao governo estadual o desafio de liberar as catracas para que os paulistanos não fossem prejudicados. Isso evitaria os transtornos, porém, a proposta não foi aceita pelo governador Geraldo Alckmin.
No lugar dessa alternativa, o governo colocou em funcionamento o Paese (Plano de Atendimento de Empresas em Transporte de Atendimento de Emergência), com ônibus sem tarifa, o que não foi suficiene e só aumentou o caos nas ruas.
Para solucionar o problema da falta de trens circulando, num ato de irresponsabilidade, o Metrô tentou operar o sistema em pequenos trechos, utilizando seu quadro de supervisores que não são completamente habilitados para as funções exigidas. 

Cobertura midiática

O teor das notícias veiculadas pela grande mídia, com raras exceções - como era de se esperar -, foi o pior possível. O JN destacou o engarrafamento e a confusão nas estações. O jornal mais assistido do país apresentou imagens de um tumulto ocasionado por "passageiros irritados" que ocuparam uma avenida. A forma como foi apresentado o fato deu a entender que eram pessoas supostamente contrárias à greve, em choque com a polícia militar. No entanto, aconteceram manifestações espontâneas da população revoltada contra a política do prefeito Gilberto Kassab e do governador Alckmin. Os gritos eram "Fora Kassab!". Na maioria dos jornais, houve desvirtuação do que realmente aconteceu.



Alckmin tenta desmoralizar a greve com argumentos insustentáveis

Em entrevista à Globo, publicada no JN e outros veículos da rede, o governador Geraldo Alckmin tentou desqualificar a luta dos trabalhadores com intuito claro de tirar o foco central do problema, fugir da responsabilidade e jogar a população contra os grevistas. O governador afirmou que a greve era absurda e atribuiu a mobilização a um "grupelho radical com motivação político-eleitoral". Argumento fraquíssimo e desrespeitoso para tirar o corpo fora.

A greve desta quarta-feira foi simplesmente uma das maiores do setor, com adesão de quase todo o quadro de funcionários.

Além disso, a greve não está isolada de toda uma conjuntura nacional, em que há paralisações em diversos estados do Brasil. Na segunda-feira, 21, 100% dos metroviários do Rio Grande do Sul também paralisaram os trabalhos durante 24 horas.

Há greve dos metroviários e ferroviários em Maceió (AL), João Pessoa (PB), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Natal (RS) e São Luiz (MA). Nesta última cidade, os rodoviários continuam parados mesmo depois da greve ter sido considerada ilegal, sob multa de R$50.000,00 (cinquenta mil reais por dia) para o sindicato.





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