segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

[Sugestão Cultural] Filmes "Árido Movie" e "Requiem para um sonho" no Bom Bar


Os filmes "Árido Movie" (nacional) e "Requiem para um sonho" (internacional) vão ser exibidos amanhã (terça-feira, 08/02/2011) no Bom Bar (antigo Casa Amarela), situado na Rua Pio XII,s/n, Jatiúca, Maceió/AL.
"Árido Movie" é um drama pernambucano produzido em 2006, sob direção de Lírio Ferreira. O filme fala a história de um jornalista que mora em São Paulo e retorna à sua terra natal, no interior no nordeste, para o enterro de seu pai, que foi assassinato. Lá ele encontra uma parte da família que não conhecia, e que lhe cobra que se vingue da morte do pai.
"Réquiem para um sonho" ou "A vida não é um sonho" também é um drama, mas de origem estadudinense de 2000. O roteiro é uma adaptação do livro escrito por Hubert Selby Jr, publicado em 1978. A obra descreve diferentes formas de vícios, conduzindo os personagens ao aprisionamento em um mundo ideal, que então é comado e devastado pelo mundo real.
Palmas para o pessoal do Bom Bar! Tal iniciativa deve ser valorizada e parabenizada, visto que a capital alagoana é carente de cultura, especialmente audio-visual.


Veja abaixo a RESENHA CRÍTICA DO FILME "ÁRIDO MOVIE" 
por Marcelo Hailer - marcelo.hailer@gmail.com  

CRÍTICA: ÁRIDO MOVIE - Recife não tem apenas despontado como foco de inovação musical, pois, foi de lá que surgiu o movimento Mangue Beat, que gerou Chico Science – que já nos deixou -, a Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Otto etc. É no cinema também, que mostra a sua força, criatividade e ousadia.
Ousado. Não há palavra melhor para definir esta obra lisérgica que é “Árido Movie”, dirigido por Lírio Ferreira. O lisérgico aqui é no sentido positivo da palavra, em expandir a mente e suscitar idéias em nossa mente, a lisergia está na história e no desenvolvimento da mesma, os diálogos são excelentes e profundos.
O ponto de partida é a morte do pai, Lazaro (Paulo César Pereiro), de Jonas (Guilherme Weber) , que vive em uma longínqua cidade do Recife, Jonas não vê o pai e a cidade há vinte e cinco anos. Mas todos os vêem diariamente, pois este é jornalista do tempo em um famoso telejornal. Agora há de retornar para velar o corpo de quem o gerou. Estes são os cinco minutos iniciais da obra.
A partir daí é estrada e aridez, como o próprio título da película indica, o tom laranja e as paisagens bucólicas tomam conta do enredo. E é nessa caminhada que Jonas começa a entrar em conflitos existenciais do tipo, se sentir um personagem de ficção dentro de sua própria história, como se a cidade de seu pai ou o próprio nunca tivessem existido.
Antes de pegar a estrada, Jonas vai ao Recife, reencontra amigos da faculdade e a mãe (Renata Sorrah). Os amigos de Jonas são personagens a partes, um trio de figuras, destaque para o personagem de Selton Mello, figuraça, em uma das cenas mais inusitadas, ele nos dar uma aula de com se bolar um baseado. É hilário.
Na estrada para a cidadezinha, nosso personagem encontra Soledad (Giulia Gam), que está fazendo um documentário sobre focos religiosos da região e o objetivo mor da documentarista é gravar uma entrevista com o Sr. Meu Velho, uma espécie de messias da região, interpretado por ninguém menos que Zé Celso Martinez, sim, ele mesmo, o mestre do Teatro Arena de São Paulo.
Bom, não vou contar mais nada, mas antes de finalizar, destaque para a trilha sonora do filme, produzida por Otto, que além de assinar a produção musical incluiu canções próprias, que casaram perfeitamente com o clima e a fotografia do filme. A paisagem natural em si, já é uma fotografia alucinante para os nossos olhos.
Desconcertante né? Mas é todo esse enredo complexo, denso, com varias personagens e histórias que dá o tom do filme, quem já viu Amarelo Manga, de Cláudio Assis, sabe do que falo. Mas vá assistir esse excelente filme, tudo de alguma maneira se encaixa, mesmo que seja de forma contundente e alucinógena.

Gênero: Drama
Duração: 115 min.
Ano: Brasil - 2006
Distribuição: Europa Filmes / M.A. Marcondes
Direção: Lírio Ferreira 

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