sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cicatrizes do Governo Collor: demitidos ainda lutam por reintegração

20 anistiados da rede ferroviária em Alagoas puderam voltar ao trabalho, de 2004 a 2010, graças ao apoio de um sindicato

Servidores anistiados no Ministério Público do Trabalho,
junto ao Procurador Rafael Gazzaneo
Na década de 1989, o então presidente Fernando Collor elaborou uma reforma administrativa, com extinção de empresas e enxugamento da máquina administrativa, sob o slogan “Caça aos Marajás”, que resultou na  demissão  de cerca de 180 mil trabalhadores de empresas estatais, autárquicas, fundações e  de órgãos públicos. Porém, nenhum Marajá perdeu o emprego.
De acordo o presidente do Núcleo de Anistiados, apoiado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal em Alagoas (Sintsep/AL), Carlizon Oliveira dos Santos, foram demitidos mais de mil trabalhadores de diversos órgãos em Alagoas. “Da Funasa foram liberados na faixa de 30. Da Conab também mais ou menos isso. Só da rede ferroviária foram uns 130”, disse. 
Logo após o impeachment do Collor, os anistiados organizados conseguiram a edição da Lei 8.878 como forma da sociedade reparar as grandes perdas para essa massa de trabalhadores.
De 2004 a 2010, 19 servidores da rede ferroviária demitidos foram reintegrados.  Ainda este ano, mais um voltará ao serviço através da lei de anistia. Além dos ferroviários, trabalhadores de outros órgãos também foram reintegrados.
Já se passaram 22 anos do Governo Collor e muitos ainda não foram anistiados. Para Carlizon, “o grande problema foi que FHC colocou o pé encima da lei”. Segundo ele, o Governo de Fernando Henrique Cardoso criou três decretos que anulavam a anistia. Mas depois o movimento se fortaleceu. Com o Governo Lula, ex-inimigo de Collor, o projeto foi retomado e houve a criação de outra comissão de análise, a CEI (Comissão Especial Interministerial).
Para Carlizon, o Sintsep/AL teve grande influência no processo de reintegração do pessoal, principalmente a última diretoria. “O sindicato que representava a gente era o da rede ferroviária, mas o nosso sindicato de base abandonou a luta. Então foi o Sintsep que foi nos buscar. Durante todo esse tempo, o apoio maior que tivemos foi da gestão No Rumo Certo até hoje”, afirmou.
O secretário geral do sindicato, Gerson Hortêncio, destaca que a gestão Símbolo de Lutas e Conquistas, eleita no corrente ano, continua a apoiando o Núcleo de Anistiados em busca de trazer de volta ao trabalho os servidores injustiçados.

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