sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Quem faz obra é operário

“- Então, a candidata passou por aqui e mostrou um pedaço de reboco?”
“- É ruim... Ela nunca fez uma obrinha! Criança, pra ela, é só pra tirar foto pra campanha! Dona Denilma entregou o ‘Tijolo de ouro’ pro Biu, que já fez milhares de casas, creches, escolas, hospitais, pro pobres. A mulherada apóia o Biu! Tinha mais de vinte mil lá, num ta vendo na TV?”

                Este é um dos diálogos apresentados no programa eleitoral gratuito de um candidato ao senado no Estado de Alagoas. Cabeça (de camarão), o personagem da campanha, desde o início, utiliza um discurso de baixíssimo nível e tenta colocar o debate político de escanteio para desqualificar e difamar a concorrência. Ele afirma que o seu candidato fez diversas obras. Porém, senador faz obra?
                As pesquisas só refletem que a população alagoana, carente de educação (que vai muito além de saber ler e escrever), está “entrando na onda” do candidato populista, não recorda os escândalos de corrupção noticiados e esquece ou desconhece as funções de cada representante do povo.
                No dia 03 de outubro de 2010, os cidadãos de Alagoas vão escolher deputados estaduais, deputados federais, senadores, governador e presidente da República. Os primeiros fazem parte do poder legislativo, com função de votar as leis e fiscalizar o poder executivo; os dois últimos fazem parte deste que, como explícito no nome, executa as leis, administra.

Corrupto "bem na fita"

                Deputados e senadores aprovam leis orçamentárias, enviando recursos para prefeitos e governadores administrarem, abrindo concursos para contratação de funcionários públicos e licitações para a realização de benfeitorias.
                Algumas leis orçamentárias são aprovadas, mas não são colocadas em prática pelo executivo. O dinheiro é encontrado nos bolsos, nas cuecas e até nas contas de amantes de parlamentares.  Fica bem “na fita” o político do legislativo que tem seu projeto executado pelos prefeitos, governadores e presidente. Geralmente, estes escolhem os projetos de seus amigos corruptos que garantem sua parte do montante. É o caso do candidato citado acima, envolvido na “CPI dos sanguessugas”, quando Deputado Federal.

Obras em Alagoas: tijolo de ouro no bolso, educação no lixo


                Quando as eleições estão próximas, ou mesmo no meio do processo eleitoral, Alagoas, especialmente Maceió, vira canteiro de obras. Logo aparecem candidatos afirmando que fizeram obra X ou Y. Não precisa ir muito longe para resgatar na história algumas obras eleitoreiras.  
                Em 2002, ano em que o povo elegeu governos estaduais, dois terços do senado federal, a câmara dos deputados e os legislativos estaduais, foi construído o viaduto Ib Gatto Falcão. O primeiro viaduto da capital foi inaugurado no dia 22 de abril.
                Após quatro anos, aconteceram as eleições para presidente da república; deputados federais, um terço do senado, governadores e membros das assembléias legislativas. Na época foi construído o viaduto Desembargador Washington Luiz. A obra, orçada em R$ 5,7 milhões, foi inaugurada em 30 de Junho de 2006.  Antes disso, em 2005, foram inaugurados os Memoriais Teotônio Vilela – uma obra de Oscar Niemayer – e à República, respectivamente no mês de abril e novembro.
                Em 2008, quando foram eleitos prefeitos e vereadores, foram construídos dois viadutos, o do Farol e o viaduto Industrial João Lyra, orçados nos valores de R$5,2 milhões e R$11 milhões, respectivamente. O último foi inaugurado no limite do calendário eleitoral, no dia 24 de junho. O prefeito Cícero Almeida (PP) só poderia participar das festividades de entrega das alças viárias até o dia 30 de junho. Ainda no mesmo ano, foram iniciadas as obras de saneamento básico da orla marítima de Maceió.
                No dia 15 de janeiro de 2009, foi iniciada a duplicação da rodovia AL-101 Sul, que deveria ser concluída em julho do corrente ano eleitoral. Apesar de não ter sido inaugurada, a obra segue a todo vapor e, como não podia deixar de ser, os candidatos oportunistas não deixam de utilizá-la para “mostrar serviço”.
                Enquanto os tijolos de ouro são empilhados nos bolsos dos parlamentares; os índices negativos do Estado aumentam. Nos últimos anos Alagoas passou a ser o paraíso das obras e dos bandidos também!  

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